Jornal Vida imobiliária/MG 13/01/2012
Construindo o futuro
Paulo Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
O futuro chegou para o setor da construção no Brasil. A sustentabilidade e a inovação vão deixando, progressivamente, de ser conceitos distantes e se tornam cada vez mais presentes nos canteiros de obras do país.
O futuro chegou para o setor da construção no Brasil. A sustentabilidade e a inovação vão deixando, progressivamente, de ser conceitos distantes e se tornam cada vez mais presentes nos canteiros de obras do país. Depois de décadas de insegurança jurídica e instabilidade econômica – quando a indústria da construção amargou longos períodos de recessão e baixos índices de crescimento – o setor vem experimentando nos últimos anos um desempenho que permite aos empresários pensar em projetos de médio e longo prazo, que estão levando a modernidade ao segmento historicamente reconhecido como intensamente manufaturado.
O país tem pressa. Em todo o mundo, as tecnologias construtivas evoluíram sensivelmente nas últimas décadas, reduzindo o desperdício de materiais, aumentando a eficiência energética dos empreendimentos, permitindo o uso e reuso racional da água, diminuindo a geração de resíduos, elevando o nível de qualificação e remuneração dos trabalhadores e – principalmente – proporcionando melhor qualidade de vida à sociedade. Mas, por aqui, essa ainda é uma realidade distante para a maioria das empresas da construção.
Neste momento de profundas transformações pelas quais passam o nosso setor e toda a economia global, estar sintonizado às questões do meio ambiente e da sustentabilidade, tornou-se fator imprescindível; em todas as perspectivas: seja para o sucesso comercial dos empreendimentos, para a melhoria da qualidade de vida dos clientes e usuários de equipamentos públicos ou privados, para reduzir os impactos sócio-ambientais da nossa atividade, para aumentar a eficiência econômica e ambiental na construção e manutenção dos empreendimentos, entre outras. No contexto da sustentabilidade, a cadeia produtiva da construção poderá assumir, em curto espaço de tempo, um papel estratégico. A adoção de técnicas construtivas sustentáveis pode representar um significativo reforço ao movimento mundial pela redução dos impactos das mudanças climáticas.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção vem desenvolvendo, nos últimos anos, uma série de ações que têm como meta estimular as empresas do país, os diferentes níveis de governo e a própria sociedade a incorporarem o conceito da sustentabilidade na construção. Neste sentido, a Câmara, por meio do seu Programa Construção Sustentável (apresentado em julho deste ano à Presidenta Dilma Rousseff), trabalha com diversos parceiros para contribuir na elaboração de políticas públicas que façam deste conceito uma realidade cada vez mais presente no país. Para isso, o Programa trabalha com seis objetivos principais: Redução de Emissões na Cadeia Produtiva, Eficiência Energética das Edificações, Uso Racional da Água, Utilização de Materiais e Sistemas Sustentáveis, Gestão de Resíduos Sólidos, Viabilização do Desenvolvimento Sustentável no Espaço Urbano, além da Valorização do Ser Humano.
A conquista desses objetivos passa pelo apoio ao desenvolvimento de pesquisas, por mudanças na legislação, estímulos tributários, entre outras iniciativas, que irão demandar intenso debate junto aos três níveis do Executivo e do Legislativo.
Se as condições estruturais para a indústria da construção brasileira são as melhores já registradas ao longo de praticamente toda a sua história, é fato também que o futuro é algo que está em constante mutação e é construído permanentemente e a cada momento. Neste sentido, entendemos que a sociedade brasileira não pode deixar escapar esta oportunidade de recuperar o tempo perdido e levar o Brasil ao mesmo patamar de desenvolvimento já alcançado pela atividade da construção nos países de primeiro mundo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário