Fonte: Brasil Econômico
O resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) veio acima das expectativas, mas não altera significativamente as previsões para o PIB em 2011.
O indicador, divulgado nesta manhã, mostrou que a economia brasileira teve expansão de 1,15% no mês de novembro. O resultado interrompeu três meses de queda.
O indicador é elaborado pelo Banco Central (BC) e funciona como uma prévia para o Produto Interno Bruto (PIB) do país - soma de todos os bens e serviços produzidos em uma economia.
O mercado esperava um número um pouco mais baixo. O departamento de pesquisas do Bradesco esperava um resultado próximo de 1%, enquanto o Banco Fator projetava uma expansão de 0,9%. O Barclays, por sua vez, projetava um aumento de 0,4%.
O número, no entanto, não animou analistas a ponto de acreditarem que o PIB vá surpreender em 2011.
"A expansão do PIB de 2011 já está contratada abaixo de 3%", diz Vitor Wilher, economista do Instituto Millenium. "Dezembro ainda houve um aumento nas vendas, mas não a ponto de jogar o PIB acima dessa marca", destaca.
Parte dessa perspectiva mais baixa vem de revisões nos meses anteriores. Foi revelado que a atividade econômica recuou 0,5% em outubro, sendo que no mês passado a projeção do BC era de uma contração de apenas 0,32%.
Com isso, mesmo com a alta, nos últimos três meses a atividade econômica continua em terreno negativo. Na média do trimestre encerrado em novembro, a atividade ficou 0,31% abaixo do trimestre anterior.
"Isso ainda está confirmando que o quarto trimestre vai ser bem fraco", diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Corretora, que prevê uma expansão de 0,4% no quarto trimestre, e de 2,9% em 2011.
"O mês de dezembro ainda será um pouco beneficiado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mas isso só terá impacto realmente no início deste ano", acrescenta.
O número de novembro já havia sido antecipado por indicadores mais elevados. A produção industrial do mês veio acima do esperado, e o varejo surpreendeu com alta de 1,3% em novembro.
"Até pela sazonalidade do último trimestre, com aumento de vendas também aumenta a produção", explica Wilher.
Com uma expansão abaixo de 3%, a economia brasileira deve crescer abaixo do potencial, apontado por economistas para entre 4% e 5% ao ano. No entanto, isso não é visto como nenhuma catástrofe.
"Em 2011, a economia teve que enfrentar uma série de desafios ao mesmo tempo", diz Perfeito. "O ano começou acelerado, com riscos de inflação, e depois a crise intensificou-se", lembra Perfeito.
A principal preocupação, contudo, continua sendo a indústria. Estagnada há vários meses, deve continuar tendo peso negativo no PIB.
E em 2012, a economia poderá continuar crescendo abaixo do potencial. "A política fiscal é central nesse cenário. Se houver um ajuste mais forte, é provável que a gente cresça moderadamente também em 2012", diz Wilher.
Felipe Peroni
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