Jornal Diário do Comércio - MG/MG 20/01/2012
Salário afeta custo de construção
O Custo Unitário Básico da Construção (CUB) em Minas Gerais ficou em 3,96% em 2011, contra um índice nacional de 6,91%. O percentual indica a evolução, ao longo do ano, do preço do metro quadrado de uma construção padrão. Entretanto, ressalta a assessora econômica do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/MG), Iêda Vasconcelos, o CUB mineiro ficou muito abaixo do nacional não porque os custos no Estado tenham subido menos, mas porque não entrou na composição do índice o reajuste dos salários dos trabalhadores, definido somente no final de dezembro. Ainda assim, o CUB do último mês de 2011 foi de 1,79%, a maior alta do ano, em função da antecipação deste reajuste.
Em dezembro, os materiais de construção tiveram variação de custo de 0,05%, mas nos doze meses do ano passado, os preços desses produtos aumentaram 4,01%, puxados principalmente pelas variações da brita (26,85%), esquadrias (13,33%), fios de cobre (12,28%) e pelos blocos de concreto (12,23%). No ano anterior, 2010, o CUB dos materiais foi de 3,60%, o que demonstra, segundo Iêda Vasconcelos, "relativa estabilidade nessa área".
Vale ressaltar que os reajustes dos materiais de construção ficaram abaixo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de Belo Horizonte medido pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), de 7,22%, e também da inflação oficial do país calculada pelo IBGE, de 6,50%.
Os números apontam para uma estabilidade nos custos do setor de construção civil, o que se confirma principalmente pela menor variação dos custos dos materiais, acompanhando o cenário macroeconômico do Brasil. "Acreditamos que em 2012 haverá mais estabilidade nos custos da construção", declara Iêda Vasconcelos.
Já o CUB da mão de obra ficou em 3,65% em 2011, percentual muito aquém do verificado em 2010, quando a variação foi de 10,76%, pelos motivos já explicados pela assessoria econômica do Sinduscon/MG. Somente no final deste mês, quando o reajuste dos salários dos trabalhadores entrar na composição do índice, será possível saber a real proporção entre o CUB de Minas e o do Brasil.
Na verdade, o que se verifica em todo o país é o peso cada vez maior da mão de obra na composição dos custos da construção civil, observa a assessora do Sinduscon. Em 2007, quando foi alterada a fórmula de cálculo do CUB, os materiais representavam 48,95% do índice, e a mão de obra, 47,61%.
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