sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Construções sustentáveis: um desafio a ser vencido

Muito se fala em sustentabilidade, em boa parte dos discursos implementados na sociedade, em função de uma maior conscientização dos agentes sociais em relação à preservação do planeta.  Nos países mais desenvolvidos as  questões ambientais têm ocupado, gradativamente, cada vez mais espaço nos debates envolvendo o desenvolvimento. E nesse particular a construção civil  vem se constituindo a bola da vez, em razão da quantidade de resíduos que produz, e dos materiais empregados.
Aqui no Brasil essas discussões ainda são incipientes e a resistência maior está no aumento de custo que teoricamente as construções sustentáveis provocariam, em função do emprego de tecnologias limpas e insumos voltados para a sustentabilidade do empreendimento. No entanto, precisamos entender que os avanços tecnológicos e a superação de paradigmas, além de criar novos modos de relacionamento com as cidades, concorrem para a redução de custo ao longo do tempo, do contrário não haveria os avanços que experimentamos.
Algumas ações, como o uso de tintas sem solvente e materiais menos agressivos de forma geral, qualidade do ar e do espaço interno e redução de desperdícios com água e energia, o uso mais consciente do ar condicionado, a inibição do uso desnecessário e simultâneo dos elevadores e a utilização de energia solar, podem fazer uma grande diferença nas edificações.
Pesquisas realizadas recentemente mostram um aumento de cerca de 5% nos gastos no processo de construção caso sejam feitos investimentos em sustentabilidade. No entanto, a pesquisa também aponta que a médio e longo prazos obtêm-se uma economia de 30%  nos gastos com água e energia, o que compensa os sobre custos iniciais.
No Brasil, a iniciativa mais importante e recente sobre o assunto foi a criação do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável – CBCS (www.cbcs.org.br), que surgiu da necessidade de integrar boas práticas de sustentabilidade e criar uma maneira estruturada de interagir com outros setores, além de promover o desenvolvimento sustentável por meio da geração e disseminação de conhecimento e da mobilização da cadeia produtiva da construção e seus consumidores. Para tanto, pretende-se desenvolver metodologias adequadas à realidade brasileira para avaliação da sustentabilidade de serviços e empreendimentos e promover a elaboração de publicações e referências técnicas direcionadas às empresas e profissionais do setor.
A criação de tal Conselho mostra o caminho para o setor no Brasil, mas é necessário salientar que em um país como o nosso, no qual 77% das construções são autogeridas, ou seja, acontecem sem a participação de construtoras ou agentes públicos, é necessário que as mudanças e transformações sejam devidamente regulamentadas, para que realmente atinjam o maior número de empreendimentos possível.
No mundo já estão de pé algumas certificações voltadas para construções sustentáveis, como a americana LEED(Leadership in Energy and Environment Design), mais famosa, e a francesa HQE (Haute Qualité Environment). Há, ainda, a certificação AQUA (Alta Qualidade Ambiental), baseada na HQE, e que vem a ser o primeiro referencial técnico para construções sustentáveis adaptado à nossa realidade. De modo geral, essas certificações se fundamentam no princípio de eficiência energética, uso racional de água, coleta seletiva, qualidade ambiental interna da edificação etc.

FONTE : Paciência viva

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