quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

VI Encontro de Diretores e Gestores da Construção: veja as principais reflexões

Fonte: CTE


O ‘VI Encontro de Diretores e Gestores da Construção: estratégia e gestão’, realizado pelo CTE no dia 7 de dezembro, reuniu 280 profissionais de 10 Estados e 33 cidades brasileiras.
Na abertura, Roberto de Souza, Diretor Presidente do CTE, destacou a importância de o evento trazer a visão, análises, tendências e estratégias dos gestores das empresas líderes para os próximos anos, principalmente uma reflexão sobre os caminhos do mercado imobiliário, depois de momentos de euforia, pânico e crescimento do setor nos últimos anos. Para Souza, debatendo lições aprendidas e erros que deixarão de serem cometidos, novos processos e mecanismos para a melhoria da gestão da produção, da inovação, dos empreendimentos e das empresas, é possível apontar para a construção sustentável de novos caminhos, o que permitirá consolidar o setor como forte e competitivo na economia brasileira, gerando resultados para as empresas, para a sociedade e para o meio ambiente.
PRINCIPAIS REFLEXÕES DO ENCONTRO
O cenário macroeconômico e o mercado imobiliário
Se o desempenho e as previsões da economia mundial não são favoráveis, as chances de o Brasil ser atingido pela crise, principalmente a europeia, são pequenas, pois o País possui hoje estabilidade macroeconômica, com reservas internacionais superiores à dívida externa e um sistema financeiro sólido.
O Brasil deve fechar o ano de 2011 com o PIB em 3,3%, a inflação em 6,6%, a taxa de desemprego em 6% e os juros (Selic) aproximadamente em 11%.A tendência da economia brasileira, em 2012, deverá ser de crescimento em ritmo mais baixo, mas espera-se também uma taxa de desemprego em baixa, uma a massa salarial crescente em torno de 5,2% e juros (Selic) em baixa.
Com estas condições macroeconômicas, o PIB da construção de 2011 fechando em 4,8% e a expectativa de que cresça 5,2% em 2012, além de condições demográficas favoráveis e déficit habitacional brasileiro estruturalmente alto, as previsões para o mercado imobiliário são boas e o setor deve se destacar entre as atividades produtivas mais promissoras do Brasil nos próximos anos.
Quanto ao crédito imobiliário, em 2012 deverá crescer de 30% a 40% para pessoas físicas, comparando com o ano de 2011. De certa forma, os financiamentos estão garantidos nos próximos anos por bancos comerciais e securitização (imóveis acima de 500 mil), pelo SFH/ Poupança (de 170 a 500 mil) e pelo Programa Minha Casa Minha Vida (até 170 mil).
O crescimento efetivo do setor da construção neste ano (o volume ofertado em 2010 foi 5 vezes maior se comparado com 2006) definiu novas demandas e ritmo de comercialização: o melhor desempenho de vendas concentrou-se nos apartamentos até 80m² (velocidade de venda mais rápida) e o pior desempenho de vendas nos apartamentos acima de 300m² (velocidade de venda mais lenta).
O cenário atual da construção e suas consequências
O crescimento inusitado da construção de 2008 a 2011, com um enorme volume de obras acompanhado por uma grande diversidade geográfica, trouxe ao setor e às empresas uma série de problemas e desajustes envoltos por momentos de euforia (pelas oportunidades) e pânico (pelo descontrole de processos).
Falta de mão de obra, estresse e aumento de preços na cadeia de fornecedores de materiais e serviços, número insuficiente de profissionais qualificados, complexidade da legislação em diferentes localidades, baixa industrialização na indústria, lançamentos influenciados pelas demandas dos investidores, foram alguns dos grandes problemas enfrentados pelas empresas.
As consequências deste cenário levaram a falhas graves de gestão e da capacidade de produção (com forte tendência à terceirização), aumento de custos, não atendimento a prazos, problemas de qualidade das obras, insatisfação dos clientes, e, consequentemente, redução das margens de lucratividade e prejuízos na imagem das empresas.
O setor da construção, enfim, não estava preparado para o tamanho deste crescimento.
Os gargalos da indústria da construção
Alguns dos pontos sempre apontados como gargalos da indústria da construção podem ser minimizados e resolvidos a médio e longo prazo.
Crise externa: com condições políticas e econômicas estáveis e mercado interno crescente e fortalecido, o mercado imobiliário terá um bom desenvolvimento no médio e longo prazo, inclusive impulsionado peles eventos da Cope 2014 e Olimpíadas 2016.
Esgotamento de crédito imobiliário: o mercado encontrará novas fórmulas para resolver a questão de financiamentos diante da previsão de esgotamento de recursos da poupança entre 2012 e 2014. Novas estruturas de captação de longo prazo, criação de benefício tributário (abatimento do IR) e securitização devem ser articuladas para suprir o crédito imobiliário nos próximos anos.
Dificuldade na recuperação de preço de venda: espera-se um movimento natural de assentamento de preços no mercado e dos custos da construção pela própria demanda. Não há sinais de bolha imobiliária.
Fornecedores de materiais: há um poder de reação visível dos fornecedores, alavancado por sólidas parcerias, o que promove a possibilidade de planejamento para o fornecimento em condições reais à necessidade do mercado.
Falta de operários: poderá haver mitigação, desde que um plano de treinamentos, formação e capacitação sejam programados e executados.
Gestão da produção: a racionalização e industrialização da construção não têm volta, serão necessárias e exigirão muita pesquisa, planejamento e treinamento de equipes.
Falta de técnicos: a falta de engenheiros, arquitetos, projetistas e mestres deve fazer parte da agenda do setor para que não se encare a “importação” de profissionais como alternativa final.
Os desafios da indústria da construção
No âmbito conjuntural, os grandes desafios dizem respeito à regulamentação do próprio mercado e estabilidade dos financiamentos. No âmbito setorial, estão ligados principalmente à qualidade dos produtos, desenvolvimento da normalização, eficácia na gestão, lucratividade e competitividade das empresas.
No âmbito corporativo, os desafios estão focados no desenvolvimento e aprimoramento: do produto imobiliário (entender as necessidades dos clientes, fazer pesquisas de intenção e de opinião, estimar as tendências das cidades, da sustentabilidade do empreendimento e do espaço urbano, incorporar garantias de desempenho e aprimorar a avaliação pós-ocupação); da concepção do produto e da aprovação do projeto legal; do processo construtivo e da eficiência produtiva; do processo de projeto e de novas tecnologias de modelagem; de estimativas e controle de prazos e custos; de métodos de execução e de processos de gestão compatíveis com novas tecnologias; de parcerias com os fornecedores de produtos e serviços (cadeia de valor); de processos gestão de informações; de gestão integrada entre projetos, obras e empresa; de planejamento e controle de custos; de processos de garantia de qualidade; da produtividade corporativa e eficiência operacional.
Neste contexto, e com tantas tarefas para fazer a construção crescer em seu próprio objeto que é edificar, a industrialização do processo produtivo tem que ser considerada como fator contínuo de ganhos de qualidade e produtividade. Assim como a sustentabilidade que, indo além do empreendimento para se instalar na cadeia de valor, deverá conduzir a construção para um caminho economicamente viável, ecologicamente sustentável e socialmente responsável.
Para ver as palestras realizadas neste Encontro, as fotos e saber mais sobre este evento, acesse:

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